|
|
| |
Carrapato não é Chato - Odemar Leotti

Fétido igual a vinho, aromático igual a carrapato. Quero sentir o odor dos pés que amassaram o vinho para aplacar o verme que constrói a arrogância do nada que corrompe minha fonte de sentimentos. Quero isto para poder separar a febril ilusão de poder beber um cálice de vinho e arrotar erudição depois de fumar o meu cachimbo como se fosse a afirmação de um saber superior porque totalizante. Lareira, vinho, cachimbo e erudição. Prazer perseguido que termina em tragédia do vazio dos que querem se distanciar do suor do cotidiano. Boteco da esquina que rola o que não rola na casa que abriga o lar cristão. Boteco que não alisa, mas destrói tudo que se quer certo e erudito. É o dito pelo dito. É o vai embora com raiva por falta de adjetivos para a saideira. Carrapato maldito que nos prega no bar e nos expulsa do lar. Lar sem lareira, sem cachimbo, sem erudição. É cara na cara. É tudo se resolvendo na porrada. Na porrada do dia a dia. É porrada na cara quando se ouve que se tem que ir curtir uma vaga na fila do SUS. É o lar sem lareira, sem cachimbo e sem erudição. É o saber que se produz com murro no fígado. Com cuspida de escarro sem escarradeira. É o lar onde se pula moleque dormindo no chão em uma reles esteira. Sem lareira, sem vinho e sem erudição. É carrapato que nos liga na vida mesmo que não queira. É o lugar do saque a arma, mais rápido. É o dormir com tiro raspando a orelha. É o saber pra usar daqui a pouco. É saber que não tem mulheres de pernas cruzadas, olhares sensuais, faceiros... É mulher balançando criança “cagando até as tripas”. É mulher reclamando do vizinho e o senhorio ameaçando com despejo. É sem lareira, sem vinho e sem erudição. É o lugar onde não se tem direito de determinar a vida, mas tem que aprender a viver do que lhe sobra no deserto da mesquinhez de homens da cidade. Eles que sacrificam milhares de crianças e velhos só pra beber um bom vinho e arrotar arrogância baforando um cachimbo e dizendo que tem a receita certa pra salvar a humanidade. É um saber carrapato que já nasce impregnado na alma e no corpo. É o suor que não sai porque não tem água na torneira. É o sonhar e o baforar do cigarro pirata e o pensar o que comer amanhã. É meu nego. É chato e não é carrapato. É um chato de um saber que se fabrica no tapete de veludo que entende a vida como algo a se chegar e nem ver que nem a ela a maioria consegue chegar. É nesse lugar que conhecimento é apenas recozido e fica pronto para usar logo. É pegar o que está colocado pra gente e misturar uma pimentinha pra poder viver do que sobrou. É beber uma pinga e pensar que resposta dar ao senhorio intolerante. É minha gente. Essas pessoas pensam. Pensam como carrapatos e não saem do seu saco apesar de parecerem cabisbaixos. É carrapato que não querem mais você erudito do cachimbo e do vinho na lareira. Eles já acham vocês chatos. Eles: os carrapatos. Eles já mandam na parada. Não quer papo furado a vida inteira. É o povo, oxente bichim! Ta votando contra o sabidinho. São os carrapatos que não largam mais os chatos. É LULA DE NOVO COM A FORÇA DO POVO.
Foto:www.saudeanimal.com.br/imagens/carrapato.gif
Escrito por oleotti às 22h28
[]
[envie esta mensagem]
|
|
|
|
| |
METAMORFOSE - JULIO CÉZAR COELHO

Sinto náuseas, são gritantes... Meu corpo colabora, minha cabeça padece Penso que apodrece, que míngua a cada Instante – e são tantos... Que variam de cor, formando furúnculos, Dos algozes que feriram De gargantas que secaram De suores sem desejos. Misturas colaboradoras do desprezo Dos que visitam os vermes insanos Querendo seus tronos nos Feudos Estabelecidos em seus planos Deixando para trás os sujeitos Que fizeram deste recanto Um acalanto... Um encanto E minha náusea vira pranto.
Foto:www.desejsoedelirios.blogs.sapo.pt
Escrito por oleotti às 00h27
[]
[envie esta mensagem]
|
|
| |
| |
[ ver mensagens anteriores ] |
|
|
|
|